Igreja Batista da Glória

Um igreja da Convenção Batista Brasileira que deseja levar cada membro a viver como servo de Cristo.

A MORTE QUE TIRA O MEDO DA MORTE

A atração do pecado

1. Temos sede de pecado, particularmente porque nossa mente é condicionada desde o berço a buscar prazer. Somos carentes de satisfação, de deleite. Não usamos inteligência para querer prazer, não usamos sabedoria para sermos impulsionados aos desejos. Eles são automáticos! Os desejos e busca de prazer estão ali em nosso coração nos impulsionando para fazer o que fazemos. “Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido.” (Tiago 1.14). É por causa dele que queremos ter os primeiros momentos de intimidade com nossa esposa, é por causa dele que queremos ter o dinheiro a nosso dispor, os amigos para nosso apoio e afirmação, a obediência dos nossos filhos, o favor de nossos pais. Sim, queridos, é em virtude desta fonte de vida que fazemos tudo aquilo que nos alegra.

2. O problema é que Adão cometeu um erro que deteriorou esta fonte de nosso prazer. A arrogância de viver independente de Deus, o levou a comer o fruto proibido e condenar a raça humana a ter em si um coração enganoso, incurável e cheio de mistérios, como ensina Jeremias 17.9. Desde então, o que desejamos, por mais perigoso e danoso que seja, sempre parece ser bom, por mais que tentemos evitar, nosso corpo tem uma tendência ao prazer sujo e por mais que procuremos não conseguimos compreender sozinhos porque decidimos pecar contra Deus. É o engano, a doença e o mistério do coração que herda o pecado dos pais, como se desespera Davi com as palavras do Salmo 51.5: “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.

3. Não, irmãos, não é por sabedoria que decidimos mentir, negligenciar o discipulado, o evangelismo ou o momento diário com Deus a sós, levantar a voz contra a autoridade dos pais, ignorar as necessidades de nossa esposa, insurgir com desrespeito com o nosso marido, agir fora da dependência de Deus. Não, não é por inteligência. É puro desejo! Somos como cordeiros presos ao seu executor que envolvidos como por cordas ao pescoço por estas ânsias nos arrasta para as grutas da iniquidade e nos arrasta como presas frágeis pela avidez do prazer para consumar nossos pecados à beira do matadouro da vida.

A consequência do pecado

4. Cegos, enganados e ignorantes ao perigo eterno, não percebemos que aquilo que “tenazmente nos assedia”, nos lança sobre uma maldição terminal e nos afasta de um prazer infinitamente mais duradouro, infinitamente mais verdadeiro, infinitamente mais saudável, e infinitamente mais claro do que o prazer da injustiça. O pecado que corrompeu a fonte de tudo o que desejamos serve como um véu negro e opaco que tira de nossa vista a lucidez do que é verdadeiro e eterno. Sim, queridos, não conseguimos ver a tragédia que o pecado enredou para nós. Homens assim, bebem o veneno como se bebesse saborosa bebida e comem do fel, como se fosse deliciosa comida. Não percebem que o ódio, a ganância, a prostituição, a mentira, as brigas são produções malignas e com consequências funestas para sua própria vida. Pensando nisso é que Jesus lembrou o profeta Isaías em João 12.40:

“Cegou os seus olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure”. É desta forma que chamam bem ao que é mal e mal ao que é bem.
5. Além disso, homens escravos do pecado são hostis contra Deus. Mas como não seria? Os desejos de Deus são incompatíveis com os desejos com os quais estão acostumados desde a infância. Os desejos de Deus não se harmonizam com falta de perdão, com o orgulho de não ceder e não servir. Por isso, ao ouvirem que alguém ergue a voz em nome de Jesus, seus ouvidos se tapam, seus olhos fecham e seus corações endurecem. Por isso em Romanos 5.10, Paulo os reconhece como “inimigos de Deus” como muitos são, e alguns eram. Meus amados, este mesmo apóstolo tocará neste assunto depois dizendo que “a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.” (Romanos 8.7). Pior é que, se esta inimizade nos coloca contra Deus, coloca Deus contra nós. “Deus resiste aos soberbos”, sua mão estende-se contra os que sabendo que tal procedimento é contrário a vontade de Deus ainda assim decidem fazê-lo! Não queríamos ter um assaltante contra nós, nem mesmo, um violentador contra nossas filhas e mulheres, não queríamos ter assassinos olhando contra nós, mas admitimos que o Todo Poderoso derrame sobre nós a sua ira. Claro que isso não é inteligência, é escravidão do prazer!
6. Como se não bastasse a cegueira que o pecado nos traz e a hostilidade entre nós e Deus, o pecado derrota qualquer intenção residual de agradar a Deus. Mesmo que alguém queira prestar um culto, este se torna egocêntrico. Quer orar e cantar do seu jeito, causar boa impressão aos outros, quer obedecer com um toque de conveniência particular. É quando alguém diz: “Quero dar a capa e não somente a túnica, mas é injusto quando a culpa no acidente não foi minha, quando ele não pagou o que me devia, quando eu fui injuriado!” Da forma com veio ao mundo, toda a boa atitude que o coração produz é manchado de iniquidade. São “trapos de imundícia” classificados na boca do profeta Isaías (Isaías 64.6). Da forma como nascemos, “não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer.” (Romanos 3.11-12).
7. Porém, de todas as consequências uma é a pior delas: viver sem Deus! Ele é o criador e mantenedor de todas as coisas. A fonte de toda a verdadeira e duradora felicidade. Ele é capaz de nos proteger, guardar, andar conosco, nos satisfazer, administrar as coisas para o nosso bem e nos amar incondicionalmente. Porém, nascemos sem Ele, sem a esperança que Ele pode dar. Sem Ele, a vida se torna um pavio fino e curto de uma vela, que todo o sentido de viver se desfaz em pouco tempo. Como nos esclarece o irmão Paulo, nascemos “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo.” (Efésios 2.12; ver também Colossenses 1.21).
8. Esta falta de Deus hoje se tornará muito mais dolorosa no futuro. “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23) e esta separação de Deus que começa hoje continua na eternidade. Hoje, ainda temos uma esperança de que podemos nos arrepender, mas e depois. Pois “o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo”
(Hebreus 9.27). “Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento.” (Eclesiastes 11.9). E então, se não houve arrependimento e confiança na salvação do Senhor, o que resta é “uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus.” (Hebreus 10.27).
9. É, irmãos! O coração não nos avisa destas coisas. Entretido em seus caprichos e desejos, não fala das consequências desgraçadas do prazer que naturalmente vem dele! Se alguém para para pensar nisso, lhe sobrevirá um grande medo do que acontecerá depois da sua morte. Um medo que aumenta à medida que nossos dias vão se findando ou mesmo que a expectativa de que o acaso da vida venha sorrateiramente e de surpresa com um doença incurável, um acidente fatal ou pelas mãos armadas de mais um assassino pecador. Todas as convicções que seu coração lhe passou, que o mundo o ensinou, começam a se desmoronar junto com a vida que se esvai do corpo. Então o que resta é um pavor da morte, um terror de não ter acudido enquanto era tempo.
10. Satanás, sentado em seu cavalo de vitória e tendo o cetro da morte em sua mão, festeja mais uma vida que deixou de glorificar o seu inimigo. O oponente de nossas almas regozijasse, porque de tantos os que Deus criou, mais um trouxe tristeza ao coração do Criador. Pois, diz o profeta Ezequiel: “não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor.” (Ezequiel 18.32). A festa é toda diabólica! Ele tem na morte do ímpio o seu prazer, ele investe contra a imagem de Deus na terra para poder colher o fruto prazeroso de um fim frívolo e lamentável de mais uma vida que poderia ter irradiado a glória de Deus entre os homens. A morte é o triunfo do Diabo na vida de um incrédulo!
11. Mas, diante de tanta tragédia, “graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo!” (Romanos 7.25). Deus se dispôs a ter mais filhos além do seu Unigênito. O milagre da adoção não se resume simplesmente a um processo de direito, mas uma interferência na natureza do homem. Para o Pai Celestial não bastava a autorização para a chamar alguém de filho e este lhe chamar de Pai. Ele decidiu unir as naturezas humana e divina no homem. Cristo foi instrumento para isso. “Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana…” (Hebreus 2.14). O amor de Deus pela a imagem dEle que Ele mesmo criou é de tal envergadura que além do direito, ele queria unir-se a este homem através do Seu Filho. E a primeira medida necessária era alterar o seu coração enganoso, doentio e misterioso pro um coração verdadeiro, vivo e esclarecido! Ele diz: “Eu lhes darei coração capaz de conhecer-me e de saber que eu sou o Senhor. Serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, pois eles se voltarão para mim de todo o coração.” (Jeremias 24.7).
12. Para que pudéssemos ter este novo coração, Ele “amou o mundo de tal maneira, que Deus seu Filho Unigênito”. Deus demonstrou que nos ama! Ele demonstrou que a base de suas decisões era um amor sábio, disposto a fazer o sacrifício que fosse necessário para chegar ao propósito mais sublime que é engrandecer o maior nome que se pode mencionar: o do Deus Altíssimo! Para sacrifício assim, nosso desejo natural não serve. Nossas paixões de berço não são úteis. Ele mostrou que a solução para o declínio do homem é o amor
incondicional. Amar a Deus de todo o seu coração e ao outros como o homem ama a si mesmo.
13. Neste momento, se enfrentam Cristo e o diabo. Nunca houve, na história do universo visível e invisível, uma diferença de poder tão grande entre dois lutadores do que neste momento. De um lado o regente da maldade e que tem a morte como sua principal arma e do outro o Soberano Filho de Deus e dono da vida. Um mero anjo desertor contra o Supremo do Universo, mesmo que investido da condição de servo. Enquanto o Filho está na cruz, posso imaginar o sorriso sarcástico do Inimigo de nossas vidas e o olhar de escárnio voltado para Deus, como quem diz: “Experimente a dor e o sofrimento dos homens que rejeitaram todo o seu esforço em chamar a atenção deles! Enche seu estômago com o fel de sua própria justiça! Sinta o preço do pecado da humanidade que você desejou ser a sua imagem!”. Sim, era uma vergonha para Deus e para o seu Filho estar na cruz!
14. Três dias se passam, em que o inferno está em festa! Os demônios se banqueteiam vendo seu inimigo sofrendo o veneno destilado da morte! O Leão de Judá está ferido, seu rosto desfigurado, “nenhuma beleza havia que nos agradasse”. Sobre seus ombros o peso do pecado de toda história e sobre si a aplicação de toda a ira do próprio Pai. Exceto, quando estes demônios eram anjos que viviam em adoração ao Santo, eles não tiveram outra alegria maior do que aquela. Seus sorrisos eram nutridos pelo prazer de ver o Deus Eterno subjugado à pior das agruras que se possa descrever. Quem seria habilidoso para expor todo o constrangimento a que o Filho se submeteu naqueles três dias.
15. Mas o tempo da festa infernal estava com as horas contadas. Como poderia a morte reter ali o Filho de Deus? Diz o escritor aos Hebreus que “…pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha” (Hebreus 12.2). Em tudo o que Jesus sofreu, se manteve firme diante da vergonha, porque ele estava sempre lembrando da promessa do Pai de uma alegria muito maior do que aquela infâmia. E como um Pai que há muitos anos não vê o filho e sabe que pode avistá-lo de novo, “Deus o ressuscitou dos mortos, rompendo os laços da morte, porque era impossível que a morte o retivesse.” (Atos 2.24). Aqui, de novo minha imaginação permite ver o abraço de Pai e Filho, dizendo: “Tu és o meu Filho Amado, em quem tenho prazer.” Era impossível que o fraco e miserável diabo pudesse manter na clausura da morte o Filho Onipotente de Deus. E agora? O sacrifício de Cristo foi necessário “para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo,” (Hebreus 2.14). É isto, filhos de Deus, Satanás foi derrotado! O tempo do seu riso se foi. A vergonha se foi. Não precisamos mais ter medo da morte!
16. Há um grupo de homens e mulheres que veem na morte de Jesus, uma esperança para si. Não uma esperança de quem talvez possa viver, mas a esperança de quem sabe que viverá eternamente. Para estas pessoas a morte de Jesus muda a forma como olham para a própria morte. Antes, o pavor da morte gerado pelos seus pecados, o terror de ver em sua frente o cetro do Diabo erguendo-se contra ele, agora se transforma em desejo por este dia. Corações transformados são conduzidos há uma ardente expectativa pelo momento em que findos os dias neste mundo irá encontrar-se frente a frente com o Pai Celestial que os adotou de forma imponente. Vemos como via o apóstolo dos gentios: “20Aguardo ansiosamente e
espero que em nada serei envergonhado. Pelo contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; 21porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher! 23Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; 24contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo.” (Filipenses 1.20-24).
17. Por isso, mesmo que, vergonhosa, a cruz nos alegra! Mesmo que tenha sido dura para nosso Mestre, a cruz nos aliviou da escravidão do desejo pecaminoso, das consequências naturais do pecado, da solidão de uma vida sem Deus e da vaidade de uma vida sem esperança. Hoje, por causa da morte do meu Mestre, posso dizer não ao pecado. O Senhor, sempre tenho ele comigo, e estando a minha jamais serei abalado. Minha vida não é uma carreira sem prêmio, mas uma corrida com chegada, e uma expectativa de vitória. A morte não me traz mais medo, estou livre do seu terror, fui liberto do seu pavor, pois sei que “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” (II Timóteo 4.8).
Por isso, “eu amo a mensagem da cruz, até morrer eu a vou proclamar. Levarei eu também minha cruz, até por uma coroa trocar!”

 

 

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